A safra da cevada em 2020 e as novas tendências

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A cevada é um cereal que ocupa o 4° lugar do ranking de grãos quando o assunto é colheita, com uma produção anual de cerca de 170.000.000 de toneladas. Os grãos da cevada são utilizados em diferentes formas, como a farinha, a fabricação de cerveja, e até a elaboração de bebidas semelhantes ao café a partir de grãos torrados e moídos.

A região sul é a principal cultivadora da cevada. Na cidade de Guarapuava, no centro-sul do Paraná, que concentra 50% da área plantada de cevada do país, sendo quase toda sua produção para a fabricação de cerveja, como exemplo uma propriedade no distrito de Entre Rios, em Guarapuava, onde mais de 230 hectares foram reservados apenas para cevada na safra de 2020, e onde os produtores paranaenses semearam 63.058 hectares e colheram 261.912 toneladas. O volume poderia ser pelo menos 10% superior não fosse a estiagem em julho e agosto, que afetou as fases de floração e frutificação, quando a exigência pelos recursos hídricos é maior.

Mesmo assim, os grãos tiveram germinação acima de 95%, classe 1, que é o melhor padrão para a produção. Junto com a excelência de qualidade, os preços alcançaram os melhores patamares dos últimos anos. A saca é comercializada por R$ 82,00, valor 37% acima da média de 2019. Cerca de 82% da produção já está vendida, sendo quase sua totalidade destinada à produção de malte.

A cevada é matéria-prima do malte, um dos principais ingredientes usados na fabricação da cerveja pelas malterias, no entanto, mesmo com o setor cervejeiro em queda na pandemia, no campo a produção não foi atingida pela crise, uma vez que a safra que está sendo colhida agora irá gerar malta apenas para o próximo ano. Esse fato também se une à aproximação das festas de fim de ano, onde os consumos de bebidas alcoólicas, como a cerveja, tendem a aumentar consideravelmente.

A tendência por novos rumos

Em contrapartida, mesmo com o Brasil dispondo de outras opções mais vantajosas para a alimentação animal, as constantes altas da soja e do milho no mercado criam a tendência atual do consumo de cevada como forragem. A cevada tem retorno na conversão animal similar ao milho, com cerca de 10% inferior em energia, mas superior em proteína. A cevada também pode ofertar maior teor de fibras, desejável para compor rações para diferentes classes animais.

Na Embrapa Suínos e Aves (Concórdia, SC), a cevada está sendo avaliada na alimentação de suínos, aonde as pesquisas mostram que a inclusão de até 80% de cevada em substituição ao milho não causou diferenças no desempenho dos animais. E na produção leiteira, o uso de cereais de inverno pode reduzir os custos em 4% na composição da ração. Assim, embora quase toda a produção da cevada hoje, no País, vá para a fabricação de cerveja, estamos em um cenário de alta no farelo de soja, contribuindo então para que os cereais de inverno se tornam cada vez mais competitivos na alimentação animal.

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