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Plantio da segunda safra de milho atinge 73% da área no Paraná e produtores esperam boas produtividades

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A Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná divulgou, por meio do Departamento de Economia Rural (Deral), seu o relatório de plantio, colheita e comercialização das principais safras do estado. O levantamento apontou que o plantio do milho 2ª safra no estado já atingiu 73% do total da área esperada. Nos dados da semana passada, esse índice era de 60%. Desse montante, 78% está em descanso vegetativo, 21% ainda seguem em germinação e 1% já avançou para floração.

Já nos dados referentes à 1ª safra, o Paraná apresenta 84% avaliado como condição boa e 16% como média. A maior parte plantada se encontra na fase de maturação (64%), enquanto 35% estão ema frutificação e apenas 1% ainda permanece em floração. Até está terça-feira (26) o estado paranaense já havia colhido 32% da área de milho 1ª safra.

As chuvas que voltaram a cair no Paraná animam os produtores que elevam as expectativas de uma boa safrinha milho, conforme o produtor rural de Itambé/PR, Valdir Edemar Fries disse em entrevista ao Notícias Agrícolas.

“Todo o trabalho vem sendo feito conforme o planejado e tendo a colaboração das boas chuvas dessa frente fria que veio de forma bem uniforme. O preço hoje gira em torno de 30/31 reais e cobre bem os custos se tivermos boa produtividade. A safra promete dadas as condições de plantio e devemos ter uma grande safra de milho para compensar inclusive os plantios de verão que foram a baixo do esperado”.

Confira a entrevista completa com o produtor rural Valmir Edemar Fries: Após secas no ciclo da soja, chuvas voltam e produtores de Itambé/PR esperam boa safrinha de milho

Fonte Notícias Agrícolas

Irmãs Grimm apresentam: a história das últimas espigas de milho de São Gabriel

Baseados nos contos dos Irmãos Grimm, contamos aqui a história da transmissão de conhecimento e amor à terra de duas famílias do Mato Grosso do Sul”

Era uma vez a história de um mar verde. Por lá, sequer tem praia. Mas entre outubro e janeiro, existe um oceano de soja. E dentro desse mar fica uma ilha. Nela estão algumas das últimas mudas de milho plantadas para a temporada de verão, um alimento raro nessa época e que pode virar comida, ração e até mesmo etanol.

Quem cuida dessa ilha é a família Grimm. Ou melhor, as herdeiras da propriedade do Sr. Valdir Grimm, um ‘agricultor raiz’ que ajudou a despertar em Letícia e Luana o interesse pela agricultura. Hoje Valdir está tranquilo. Com ambas formadas em agronomia, elas são a terceira geração a tocar esse barco.

Mas é claro elas não fazem isso sozinhas, já que a ilha é grande. São 300 hectares de milho verão e outros 1.800 hectares que engrandecem o mar de soja de São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul. Com a ajuda de 11 escudeiros, Letícia explica o porquê ainda aposta no milho, já que no município são raras as ilhas com o grão:
“É importante para fazer rotação de cultura”, destaca. Na safra seguinte, os 15% a 20% da área da propriedade utilizados para o milho no verão trazem nutrientes melhores para o solo que receberá o plantio da soja. Ou seja, essa ilha de milho auxilia na produtividade. “Muitos [produtores] hoje só plantam soja [no verão], mas até três anos atrás, um terço da área era de milho”, afirma.

Faz sentido: em 2016, o preço do milho batia a casa de R$ 31 na região. No ano seguinte, despencou para menos de R$ 20. “Mas é importante [manter o plantio variado] até para não colocar todos os ovos na mesma cesta”, diz Letícia. Durante o inverno, elas variam o plantio, com palhada, milho e, nabo e aveia. A técnica se chama cobertura de solo, adequando o terreno para quando vier a soja, o carro chefe de 100 entre 100 produtores da região.

Tais pais, tais filhas
A família Grimm é um dos exemplos de sucessão no campo em São Gabriel do Oeste. Outro é a família de Sérgio Marcon, agricultor e pai de duas filhas: uma segue a carreira de medicina e a outra de administração. O curso do pai? Administração. “As mulheres estão cada vez mais presentes no campo”, afirma Sérgio. Ele garante: o gosto pelo empreendedorismo agrícola foi natural e ele torce para que a filha toque as terras da família.
Com os Grimm, o sonho de Sérgio já é realidade. As filhas de Valdir dizem que também não foram forçadas pelo pai e se encantaram pelo campo naturalmente. Mas apoio não faltou. Nunca. ”

“Meu pai tem a cabeça muito aberta e aceita muito bem as novas ideias. Fizermos até cursos [de sucessão no campo] juntos. Um deles foi em gestão”, diz Letícia. Já Luana, caçula da família, tem duas inspirações: além do pai, a irmã mais velha.

“A gente vem planejado tudo juntas, eu e a Letícia. Meu pai entendeu muito bem a questão da sucessão. Mas eu entrei por amor aos negócios, nunca ele nos induziu. Para ele, foi uma surpresa”, garante Luana.

Sérgio Marcon tem uma explicação para a continuidade: “Aqui nós vamos seguindo o trabalho das gerações anteriores, de nossos pais. Tanto o meu sobrinho quanto a minha filha começam a gerir as nossas propriedades. Nós estamos acompanhando, mas as tomadas de decisões já são por nossos sucessores”. O sobrinho dele é agrônomo de formação.

Entre as inovações trazidas pelas novas gerações estão as novas tecnologias. Letícia mostra no campo um iPad, em que monitora e faz anotações sobre as condições das lavouras e calcula as necessidades dos terrenos. Além disso, os equipamentos agrícolas são equipados. Tem GPS e outros recursos que atendem e melhoram a produção. Resultado: mais produtividade, maior rentabilidade e duas ou mais gerações aprendendo juntas.

FONTE: Gazeta do Povo

Presença de toxina impede a comercialização de 500 mil sacas de milho

Em Tocantins, o temor entre os empresários é que o estado seja visto como produtor de grãos contaminados e perca possíveis compradores.

Produtores e exportadores de milho do Tocantins estão com problemas de comercialização devido à identificação de uma toxina encontrada no cereal durante fiscalização sanitária. Um levantamento realizado pela Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro) do estado constatou que aproximadamente 500 mil sacas foram barradas para a venda, mas o prejuízo pode ser ainda maior, segundo Tadeu Teixeira Jr, gerente de agricultura da secretaria. A aflatoxina é um tipo de micotoxina das mais nocivas do mundo, considerada o agente natural mais cancerígeno que se conhece.

“Essa micotoxina é altamente perigosa, porque mesmo quando o milho é processado ela não morre. Então ela pode ser encontrada em inúmeros alimentos processados, como flocos de milho e até na cerveja. E pior: se o animal consumir o milho contaminado, transmite aflatoxina para a carne e o leite”, alerta Tadeu.

Segundo a Embrapa, a Europa é um dos compradores mais exigentes do mundo, não admitindo um nível de contaminação superior a quatro nanogramas. Países como Brasil, Argentina e Estados Unidos já admitem até cinco vezes acima desse patamar.

Nos Estados Unidos há uma legislação específica que determina a destinação do milho de acordo com seu grau de contágio: até 20 nanogramas o grão pode ser destinado ao consumo humano. No Brasil, a legislação não diferencia os diversos graus de contaminação.

Teixeira revela ainda como o departamento descobriu casos de aflatoxina no Tocantins. “Uma grande empresa exportadora de grãos entrou em contato conosco para relatar sobre a rejeição de seus lotes de milho. A princípio a demanda era ligada a questões tributárias, mas ali acendeu um alerta e fomos saber se o problema era local ou se atingia outras empresas”, diz.

Depois de uma consulta com mais de 30 armazenadores do estado, a Seagro tomou conhecimento de que várias estavam com o mesmo problema de contaminação. O temor dos produtores e empresários é que o estado seja visto como produtor de grãos contaminados e perder possíveis compradores.

“O Mato Grosso, que é um grande produtor de milho, é tido como fornecedor de grão saudável, limpo. Se o Tocantins pegar esse estigma de exportador de grão contaminado, pode inviabilizar plantio de milho no estado”, alerta o gerente.

Prevenção

Provocada pelo fungo aspergillus flavus, que causa o mofamento dos grãos, a aflatoxina é resistente ao tratamento com fungicidas, que encontram dificuldade de atingir o alvo. Além disso, a micotoxina é altamente contagiosa e pode ocorrer em qualquer momento: do plantio à industrialização, passando pela colheita, armazenamento e transporte.

“A melhor forma é prevenir”, ressalta Tadeu, acrescentando que temperaturas elevadas e períodos de seca na fase de pré-florescimento favorecem o aparecimento do fungo. Nesse sentido, o clima do Tocantins é extremamente propício à contaminação. “No período de plantio temos um clima quente e úmido e isso é tudo o que o fungo quer para se reproduzir”, detalha ele.

Para prevenir a doença, o produtor deve tomar uma série de medidas, a começar pela escolha de híbridos mais resistentes e plantar na época certa, evitando o estresse hídrico na fase do pré-florescimento. Também é preciso controlar os insetos, pois eles fazem furos na planta que favorecem à contaminação do fungo.

Segundo o pesquisador, a colheita também deve ser na época correta, evitando  deixar o milho por longos períodos no campo. Além disso, as  máquinas de trabalho precisam estar devidamente calibradas para evitar quebra dos grãos durante a colheita – pois isso também favorece a entrada do fungo. Limpeza e secagem correta dos grãos, além de armazenamento adequado em depósitos em boas condições higiene são medidas que devem ser adotadas para evitar a ocorrência de micotoxinas.

“O produtor de Tocantins deve ser extremamente cuidadoso. Temos a ideia inclusive de criar um grupo de trabalho voltado para alertar todos os agentes envolvidos na cadeia do milho para que esse problema não prejudique ainda mais a produção. O que aconteceu esse ano já é um alerta”, conclui.

Fonte: Canal Rural