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Soja volta à estabilidade em Chicago nesta 6ª feira, mas mantém foco na guerra comercial

soja

Os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago voltam a atuar com estabilidade no início da tarde desta sexta-feira (14) depois de começar o dia operando em campo negativo. Perto de 12h (horário de Brasília), os preços subiam entre 0,50 e 0,75 ponto, com o janeiro/19 cotado a US$ 9,07 e o maio/19 a US$ 9,34.

Segue a pressão da guerra comercial entre China e Estados Unidos. As últimas notícias de que a nação asiática voltou a comprar soja no mercado norte-americano chegaram, porém, sem a força que o mercado esperava e frustraram os traders.

No entanto, notícias de novas vendas de 430 mil toneladas de soja da safra 2018/19 foram bem recebidas pelo mercado, sendo 300 mil destinadas à China. Ao  longo da semana, outros anúncios de venda também foram feitos.

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Irmãs Grimm apresentam: a história das últimas espigas de milho de São Gabriel

Baseados nos contos dos Irmãos Grimm, contamos aqui a história da transmissão de conhecimento e amor à terra de duas famílias do Mato Grosso do Sul”

Era uma vez a história de um mar verde. Por lá, sequer tem praia. Mas entre outubro e janeiro, existe um oceano de soja. E dentro desse mar fica uma ilha. Nela estão algumas das últimas mudas de milho plantadas para a temporada de verão, um alimento raro nessa época e que pode virar comida, ração e até mesmo etanol.

Quem cuida dessa ilha é a família Grimm. Ou melhor, as herdeiras da propriedade do Sr. Valdir Grimm, um ‘agricultor raiz’ que ajudou a despertar em Letícia e Luana o interesse pela agricultura. Hoje Valdir está tranquilo. Com ambas formadas em agronomia, elas são a terceira geração a tocar esse barco.

Mas é claro elas não fazem isso sozinhas, já que a ilha é grande. São 300 hectares de milho verão e outros 1.800 hectares que engrandecem o mar de soja de São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul. Com a ajuda de 11 escudeiros, Letícia explica o porquê ainda aposta no milho, já que no município são raras as ilhas com o grão:
“É importante para fazer rotação de cultura”, destaca. Na safra seguinte, os 15% a 20% da área da propriedade utilizados para o milho no verão trazem nutrientes melhores para o solo que receberá o plantio da soja. Ou seja, essa ilha de milho auxilia na produtividade. “Muitos [produtores] hoje só plantam soja [no verão], mas até três anos atrás, um terço da área era de milho”, afirma.

Faz sentido: em 2016, o preço do milho batia a casa de R$ 31 na região. No ano seguinte, despencou para menos de R$ 20. “Mas é importante [manter o plantio variado] até para não colocar todos os ovos na mesma cesta”, diz Letícia. Durante o inverno, elas variam o plantio, com palhada, milho e, nabo e aveia. A técnica se chama cobertura de solo, adequando o terreno para quando vier a soja, o carro chefe de 100 entre 100 produtores da região.

Tais pais, tais filhas
A família Grimm é um dos exemplos de sucessão no campo em São Gabriel do Oeste. Outro é a família de Sérgio Marcon, agricultor e pai de duas filhas: uma segue a carreira de medicina e a outra de administração. O curso do pai? Administração. “As mulheres estão cada vez mais presentes no campo”, afirma Sérgio. Ele garante: o gosto pelo empreendedorismo agrícola foi natural e ele torce para que a filha toque as terras da família.
Com os Grimm, o sonho de Sérgio já é realidade. As filhas de Valdir dizem que também não foram forçadas pelo pai e se encantaram pelo campo naturalmente. Mas apoio não faltou. Nunca. ”

“Meu pai tem a cabeça muito aberta e aceita muito bem as novas ideias. Fizermos até cursos [de sucessão no campo] juntos. Um deles foi em gestão”, diz Letícia. Já Luana, caçula da família, tem duas inspirações: além do pai, a irmã mais velha.

“A gente vem planejado tudo juntas, eu e a Letícia. Meu pai entendeu muito bem a questão da sucessão. Mas eu entrei por amor aos negócios, nunca ele nos induziu. Para ele, foi uma surpresa”, garante Luana.

Sérgio Marcon tem uma explicação para a continuidade: “Aqui nós vamos seguindo o trabalho das gerações anteriores, de nossos pais. Tanto o meu sobrinho quanto a minha filha começam a gerir as nossas propriedades. Nós estamos acompanhando, mas as tomadas de decisões já são por nossos sucessores”. O sobrinho dele é agrônomo de formação.

Entre as inovações trazidas pelas novas gerações estão as novas tecnologias. Letícia mostra no campo um iPad, em que monitora e faz anotações sobre as condições das lavouras e calcula as necessidades dos terrenos. Além disso, os equipamentos agrícolas são equipados. Tem GPS e outros recursos que atendem e melhoram a produção. Resultado: mais produtividade, maior rentabilidade e duas ou mais gerações aprendendo juntas.

FONTE: Gazeta do Povo

Praga silenciosa pode devorar parte da safrinha de milho

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A cigarrinha do milho tem aparecido em várias regiões de clima mais quente, como o Centro-Oeste e o Matopiba, e já começou a provocar estragos

Com a safrinha de milho praticamente plantada no Brasil, o que tem preocupado muitos produtores não é o clima, nem o mercado – ainda que as cotações estejam longe do que eles desejam -, mas uma praga silenciosa que vem atacando as lavouras: a cigarrinha.

De Minas Gerais “para cima” no mapa, os relatos são frequentes, conforme acompanhou a Expedição Safra.  Quanto mais calor na área cultivada, mais a cigarrinha e as bactérias que ela carrega se multiplicam. O ambiente ideal é de temperaturas acima de 17°C à noite e 27°C durante o dia. Como os últimos invernos foram mais quentes que o habitual nestas áreas, o inseto infestou as plantações.

Na safra de verão, alguns produtores disseram ter perdido quase toda a produção, no entanto, como é o milho segunda safra que predomina na região, não houve um impacto significativo na colheita geral do país. Na safrinha, porém, a história é outra.

“Ela está tirando nosso sono e gastando nosso dinheiro”, diz o produtor Silvio Wegener, de Rio Verde, em Goiás, que cultivou 900 hectares com o cereal. Ele afirma ter praticamente acabado com a praga, mas, para isso, teve que dobrar o número de aplicações de agroquímicos. “Ela voa longe e se reproduz muito rápido. E a doença só vai se manifestar quando o milho já está ‘pendoando’. No começo você não percebe estrago nenhum, nada”, conta o agricultor.

Se no começo não dá para enxergar o problema, depois, em compensação, eles ficam mais do que evidentes: as folhas vão avermelhando pelas margens, a planta não cresce e as espigas mal formam grãos, podendo ficar com menos de um terço do tamanho normal.

A pesquisadora da Embrapa Sorgo e Milho, Elizabeth Sabato, explica que a cigarrinha se alimenta exclusivamente da seiva do milho, mas ela em si não causa danos diretos à planta. O inseto, na verdade, é um vetor, isto é, carrega bactérias que geram as doenças conhecidas como enfezamentos. “É como se fosse o mosquito da dengue”, diz ela, “o mosquito não provoca a doença, mas carrega o vírus que provoca.”

Prevenção

Significa que nem toda cigarrinha está infectada, por isso a pesquisadora não recomenda o aumento de aplicações de inseticidas na lavoura. O ideal, de acordo com ela, é a prevenção antes mesmo do início do plantio. “Não há uma medida que seja eficaz para controlar a doença isoladamente”, salienta. “Preconizamos que as sementes sejam tratadas e que eles evitem a semeadura em áreas próximas de uma lavoura que esteja infectada, porque senão pode pulverizar o quanto quiser que não vai adiantar”, complementa Elizabeth.

Utilizar variedades diferentes também é uma saída. Além disso, como a cigarrinha se alimenta de plantas jovens, o ideal é que não haja muita diferença em relação às épocas de plantio, para que os insetos não tenham força para atacar uma fatia considerável da lavoura. Quando há áreas muito próximas e em diferentes estágios de desenvolvimento, o “bando” vai trocando os talhões mais antigos pelos mais novos, pouco a pouco, potencializando os estragos.

“O produtor também tem que eliminar as ‘tingueras’, aquelas plantas que sobram da safra anterior e podem ser uma ilha para que as cigarrinhas cheguem às lavouras ao redor”, completa a pesquisadora da Embrapa. Acesse aqui uma cartilha produzida pela Embrapa, com mais informações sobre a praga e o manejo para evitar prejuízos.

Fonte: Gazeta do povo