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Presença de toxina impede a comercialização de 500 mil sacas de milho

Em Tocantins, o temor entre os empresários é que o estado seja visto como produtor de grãos contaminados e perca possíveis compradores.

Produtores e exportadores de milho do Tocantins estão com problemas de comercialização devido à identificação de uma toxina encontrada no cereal durante fiscalização sanitária. Um levantamento realizado pela Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro) do estado constatou que aproximadamente 500 mil sacas foram barradas para a venda, mas o prejuízo pode ser ainda maior, segundo Tadeu Teixeira Jr, gerente de agricultura da secretaria. A aflatoxina é um tipo de micotoxina das mais nocivas do mundo, considerada o agente natural mais cancerígeno que se conhece.

“Essa micotoxina é altamente perigosa, porque mesmo quando o milho é processado ela não morre. Então ela pode ser encontrada em inúmeros alimentos processados, como flocos de milho e até na cerveja. E pior: se o animal consumir o milho contaminado, transmite aflatoxina para a carne e o leite”, alerta Tadeu.

Segundo a Embrapa, a Europa é um dos compradores mais exigentes do mundo, não admitindo um nível de contaminação superior a quatro nanogramas. Países como Brasil, Argentina e Estados Unidos já admitem até cinco vezes acima desse patamar.

Nos Estados Unidos há uma legislação específica que determina a destinação do milho de acordo com seu grau de contágio: até 20 nanogramas o grão pode ser destinado ao consumo humano. No Brasil, a legislação não diferencia os diversos graus de contaminação.

Teixeira revela ainda como o departamento descobriu casos de aflatoxina no Tocantins. “Uma grande empresa exportadora de grãos entrou em contato conosco para relatar sobre a rejeição de seus lotes de milho. A princípio a demanda era ligada a questões tributárias, mas ali acendeu um alerta e fomos saber se o problema era local ou se atingia outras empresas”, diz.

Depois de uma consulta com mais de 30 armazenadores do estado, a Seagro tomou conhecimento de que várias estavam com o mesmo problema de contaminação. O temor dos produtores e empresários é que o estado seja visto como produtor de grãos contaminados e perder possíveis compradores.

“O Mato Grosso, que é um grande produtor de milho, é tido como fornecedor de grão saudável, limpo. Se o Tocantins pegar esse estigma de exportador de grão contaminado, pode inviabilizar plantio de milho no estado”, alerta o gerente.

Prevenção

Provocada pelo fungo aspergillus flavus, que causa o mofamento dos grãos, a aflatoxina é resistente ao tratamento com fungicidas, que encontram dificuldade de atingir o alvo. Além disso, a micotoxina é altamente contagiosa e pode ocorrer em qualquer momento: do plantio à industrialização, passando pela colheita, armazenamento e transporte.

“A melhor forma é prevenir”, ressalta Tadeu, acrescentando que temperaturas elevadas e períodos de seca na fase de pré-florescimento favorecem o aparecimento do fungo. Nesse sentido, o clima do Tocantins é extremamente propício à contaminação. “No período de plantio temos um clima quente e úmido e isso é tudo o que o fungo quer para se reproduzir”, detalha ele.

Para prevenir a doença, o produtor deve tomar uma série de medidas, a começar pela escolha de híbridos mais resistentes e plantar na época certa, evitando o estresse hídrico na fase do pré-florescimento. Também é preciso controlar os insetos, pois eles fazem furos na planta que favorecem à contaminação do fungo.

Segundo o pesquisador, a colheita também deve ser na época correta, evitando  deixar o milho por longos períodos no campo. Além disso, as  máquinas de trabalho precisam estar devidamente calibradas para evitar quebra dos grãos durante a colheita – pois isso também favorece a entrada do fungo. Limpeza e secagem correta dos grãos, além de armazenamento adequado em depósitos em boas condições higiene são medidas que devem ser adotadas para evitar a ocorrência de micotoxinas.

“O produtor de Tocantins deve ser extremamente cuidadoso. Temos a ideia inclusive de criar um grupo de trabalho voltado para alertar todos os agentes envolvidos na cadeia do milho para que esse problema não prejudique ainda mais a produção. O que aconteceu esse ano já é um alerta”, conclui.

Fonte: Canal Rural

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