Após meses de incerteza, colheita surpreende no PR e em MT

Foto: Jonathan Campos/Gazeta do Povo

 

A colheita chega à fase final no Paraná e no Centro-Oeste, e avança para 50% nos demais estados.

Os dois estados que lideram a produção brasileira de soja – Paraná e Mato Grosso – avançam para a fase final da colheita com previsões de volume sustentadas. Com isso, em apenas dois dos 16 estados com participação expressiva na produção de soja, o país tende a colher 44,5 milhões de toneladas (garantindo mais de 45% do volume previsto em levantamentos públicos e privados).

O Departamento de Economia Rural (Deral) do Paraná aponta em novo levantamento que as colheitadeiras atingiram 66% da área plantada e manteve previsão pouco acima de 16,7 milhões de toneladas. Em Mato Grosso, a colheita atinge 84,6% e promete volume pouco maior que o previsto uma semana atrás, ultrapassando 28 milhões de toneladas, informa o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Os relatórios dos dois estados apontam ainda que, a julgar pelas condições da soja que ainda está no campo, deve haver poucas alterações nas estimativas de produção. Dois terços estão em maturação e não dependem mais de chuvas. O temor de excesso de chuva na colheita também aos poucos vai se dissipando. As chuvas têm permitido o avanço das máquinas em mais de 10 pontos porcentuais por semana, no caso do Paraná.

Atraso

8 pontos

porcentuais atrás do índice desta época de 2014. Com esse ritmo de colheita, o Paraná vai confirmando safra recorde acima de 16,5 milhões de toneladas de soja. Mato Grosso pode concluir a colheita dentro um mês.

Valorização

R$ 61 por saca de soja

são pagos ao produtor no Paraná no mercado físico, cotação cada vez mais próxima da registrada em março de 2014 (R$ 62/sc). A valorização deve-se à elevação do dólar e supreende numa temporada de grande oferta global.

 

Fonte: Gazeta do Povo

Com novos carregadores, Paranaguá celebra 80 anos

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Substituição de dois dos seis shiploaders do Corredor de Exportação marca nova era de reformulação do porto. Equipamentos ‘aposentados’ operaram durante quatro das oito décadas de história celebradas pelo terminal paranaense nesta terça-feira (17)

O Porto de Paranaguá comemorou nesta terça-feira (17) oito décadas de história com a inauguração oficial de dois novos shiploaders (carregadores de navio) que prometem ampliar em 33% a produtividade do terminal paranaense. Apesar de ainda estarem em fase de testes, os equipamentos já estão operando no berço 213, um dos três que compõem o complexo do Corredor de Exportação, desde o final do mês passado e, desde então, carregaram seis navios.

“Fizemos um teste no último sábado e, em 18 horas e 20 minutos, carregamos 95 mil toneladas de soja, milho e farelo”, relata o diretor comercial da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Lourenço Fregonese, frisando que 45 mil das 95 mil toneladas foram movimentadas nos novos shiploaders. “Os dois equipamentos fizeram o trabalho de quatro”, comparou.

Segundo ele, em condições ideais, será possível carregar cerca de 120 mil toneladas de grãos por dia, o equivalente a dois navios de soja – capacidade que deve ser ampliada a partir de agosto, quando outros dois novos carregadores vão substituir mais equipamentos antigos nos berços 212 e 214. Nos quatro shipoloaders, a Appa investiu R$ 59,4 milhões. Cada um pode operar em uma velocidade de 2 mil toneladas por hora. Os carregadores antigos, que estão funcionamento há mais de 40 anos, tinham capacidade nominal de 1,5 mil toneladas por hora, mas, pelo desgaste, têm operado com, no máximo, 1 mil toneladas/hora.

Nos testes realizados no último sábado, os novos equipamentos carregaram cerca de 1,4 mil toneladas/hora, 70% de sua capacidade nominal. Por ainda estar em fase de testes, a Appa considera o resultado satisfatório e informa que a velocidade de carregamento tende a ser incrementada já próximas semanas, depois que a troca do sistema de correias for concluída.

Com mais agilidade no embarque, Paranaguá espera movimentar 5,5 milhões de toneladas de soja e farelo pelo Corredor de Exportação entre março, abril e maio, período de pico de escoamento.

Solenidade

Um apito naval sincronizado foi emitido por todos os navios que estavam atracados em Paranaguá às 11h37, exatamente no mesmo horário em que o porto foi inaugurado em 1935, para dar início à solenidade de comemoração dos 80 anos do terminal paranaense. A programação, marcada pela inauguração dos shiploaders e homenagens a ex-funcionários do porto, previa uma demonstração de funcionamento dos novos equipamentos, mas, debaixo de uma garoa fina, o carregamento do navio Ming De teve de esperar. A embarcação de bandeira honconguêsa chegou a Porto de Paranaguá no dia 09, atracou no berço 213 para carregar soja nesta segunda-feira e deve partir rumo a Xiamen, na China, nos próximos dias.

Fonte: Gazeta do Povo

Autor: Luana Gomes

Custos elevados pressionam safra no Oeste da Bahia

 

Região que concentra a maior parte da produção agrícola do MaToPiBa, o Oeste da Bahia deve consolidar uma recuperação das lavouras de soja e milho em relação a última safra. Os municípios de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães não escaparam de veranicos, mas o setor descarta uma quebra generalizada. A oleaginosa deve fechar com médias de 50 sacas por hectare, enquanto o milho vai ficar na casa de 135 sacas por hectare.

Para o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Júlio Cézar Busato, o resultado está abaixo do potencial máximo das lavouras (60 sacas/ha), e é agravado por forte aumento nos custos de produção. Uma das despesas mais expressivas é no uso de inseticidas para controle da Helicoverpa armigera, praga que dizimou os campos da região duas safras atrás. “A lagarta foi controlada, mas para isso tivemos que incorporar um custo de US$ 120 por hectare em aplicações complementares”, pontua Julio, da Aiba. Hoje o gasto médio para o cultivo da oleaginosa na região é de US$ 900 por hectare, revela.

Com isso, mesmo num ano sem sustos as margens devem continuar apertadas. “As lavouras vão produzir 15% a mais do que no ano passado, mas o custo subiu 20% no mesmo período”, compara Aristeu Pellenz, agricultor e vice-presidente do Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães. Nesse cenário somente o plantio em escala, utilizando grandes áreas, é capaz de gerar boa rentabilidade, afirmam os produtores.

 

Fonte: Gazeta do Povo, por Igor Castanho